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Direct Lake no Microsoft Fabric: como acelerar consultas em grandes bases

08 Out 2026 8 min de leitura

Quando as bases de dados crescem, o ciclo de importar, atualizar e esperar deixa de funcionar: as atualizações demoram horas, consomem memória da capacidade e os relatórios ficam defasados. O Direct Lake é a resposta do Microsoft Fabric para esse problema. Ele permite que o Power BI leia diretamente as tabelas Delta armazenadas no OneLake, com a velocidade do modo Import e sem copiar todo o volume de dados. Neste guia explicamos como ele funciona e como usá-lo para otimizar o acesso a grandes bases.

O que é o Direct Lake?

O Direct Lake é um modo de armazenamento de tabelas de modelos semânticos do Power BI, disponível no Microsoft Fabric. Ele foi otimizado para carregar grandes volumes de dados rapidamente na memória a partir de tabelas Delta disponíveis no OneLake, o repositório único para todos os dados de análise. Depois de carregado na memória, o modelo semântico oferece análise interativa de alto desempenho.

Ele é ideal para modelos que se conectam a grandes lakehouses, warehouses e outras fontes do Fabric com tabelas Delta, especialmente quando replicar todo o volume de dados para uma tabela Import é impraticável ou impossível.

Direct Lake x Import x DirectQuery

Os três modos diferem em como os dados chegam ao relatório:

CaracterísticaDirect LakeImportDirectQuery
Mecanismo de consultaVertiPaqVertiPaqFonte de dados
O que a atualização fazCopia só metadados (segundos)Copia todos os dadosNão se aplica
Grandes volumes sem atualização pesada✓—✓
Baixa latência de dados✓—✓
LicenciamentoCapacidade FabricQualquer licençaQualquer licença

Os modos não são excludentes: um modelo pode combinar tabelas Direct Lake e tabelas Import (modelo composto), reunindo a escala do lago com a flexibilidade de fontes adicionais.

Como o Direct Lake funciona

Na atualização de um modelo Direct Lake, o Fabric faz o chamado enquadramento (framing): analisa os metadados da versão mais recente das tabelas Delta e atualiza as referências para os arquivos mais atuais no OneLake. É uma operação de baixo custo, que leva alguns segundos. Na hora da consulta, somente as colunas necessárias para responder ao visual são carregadas na memória.

Por isso, o Direct Lake mantém o desempenho do Import sem o ciclo pesado de atualização, e o volume de dados analisado pode até exceder o limite de memória da capacidade, já que apenas o necessário é carregado. Além disso, os dados novos ficam disponíveis rapidamente, pois o modelo é sincronizado com a fonte automaticamente ou por reframing programático.

As duas variantes do Direct Lake

Quando usar o Direct Lake

O principal caso de uso são projetos de análise conduzidos pela TI, com arquitetura centrada no lago de dados (lakehouse), em que há ou se espera acumular grandes volumes no OneLake e é importante ter carga rápida em memória, atualizações frequentes, uso eficiente da capacidade e consultas rápidas. É uma ótima escolha para a camada ouro (gold) da arquitetura medalhão.

Import e DirectQuery continuam relevantes. O Import, por exemplo, atende bem o analista de autoatendimento que precisa de agilidade e transformações em Power Query sem depender da TI. A própria Microsoft recomenda criar uma prova de conceito (POC) para validar se o Direct Lake é a solução certa antes de adotá-lo.

Passo a passo: criando um modelo Direct Lake

O fluxo geral para otimizar o acesso a uma base grande é o seguinte:

  1. Leve os dados ao OneLake em formato Delta: use um Lakehouse (ou Warehouse) e carregue os dados com Spark, pipelines, Dataflow Gen2 ou T-SQL. Dados de fontes externas podem ser acessados por atalhos (shortcuts) ou espelhamento.
  2. Prepare e otimize as tabelas Delta: a performance do Direct Lake depende de tabelas bem ajustadas (V-Order, tamanho adequado de grupos de linhas e poucos arquivos pequenos).
  3. Crie o modelo semântico: a partir do Lakehouse, crie um novo modelo semântico e selecione as tabelas que farão parte dele.
  4. Modele: defina relações, medidas DAX e segurança (RLS/OLS).
  5. Crie os relatórios: conecte o relatório ao modelo e publique para os usuários.
Lakehouse do Microsoft Fabric com tabelas Delta
Lakehouse com as tabelas Delta que servirão de origem para o modelo Direct Lake.
Criação de novo modelo semântico a partir do Lakehouse
Criação do modelo semântico a partir do Lakehouse. O aviso da interface lembra que views SQL não podem ser selecionadas no Direct Lake no OneLake.
Tabelas do modelo semântico em modo de armazenamento Direct Lake
Modelo semântico aberto no editor: em Propriedades → Avançado, o Modo de armazenamento da tabela aparece como Direct Lake.

Atualização do modelo (reframing)

Para refletir novos dados, o modelo precisa ser "reenquadrado". Isso pode ocorrer automaticamente, quando as atualizações automáticas estão habilitadas, ou de forma programática, ao final do pipeline de carga, garantindo que o relatório só enxergue os dados quando eles estiverem consistentes. No histórico de atualizações do portal do Fabric, a aba Direct Lake registra as atualizações (enquadramentos) e, principalmente, as falhas relacionadas ao Direct Lake. Na imagem abaixo, a atualização do modelo aparece como concluída em menos de um segundo, pois apenas metadados são processados.

Histórico de atualização do modelo semântico Direct Lake
Histórico de atualização do modelo, aba Direct Lake: o enquadramento terminou com status Concluído.

Limites por SKU (guardrails)

Cada SKU do Fabric define limites que devem ser respeitados. Se ultrapassados, no Direct Lake no OneLake a atualização falha até que as tabelas sejam otimizadas; no Direct Lake no SQL, as consultas recorrem ao DirectQuery (mais lento). Alguns exemplos:

SKUArquivos Parquet por tabelaLinhas por tabela (milhões)Memória máxima (GB)
F2 a F81.0003003
F321.00030010
F645.0001.50025
F1285.0003.00050
F2565.0006.000100
F51210.00012.000200
F1024 ou superior10.00024.000400

Os limites de arquivos, grupos de linhas e linhas são avaliados por consulta. Por isso, otimizar as tabelas Delta (menos arquivos, maiores e bem organizados) evita ter que escalar desnecessariamente para um SKU maior.

Considerações e limitações importantes

As funcionalidades do Direct Lake evoluem rapidamente. Consulte a documentação oficial da Microsoft para a lista mais recente de limitações.

Direct Lake e Power BI Embedded

Modelos Direct Lake podem ser usados com Power BI Embedded, com um requisito técnico: a incorporação exige um token de incorporação V2. Se a aplicação usa uma entidade de serviço, é necessário usar uma conexão de nuvem com identidade fixa.

Como o Direct Lake roda sobre a capacidade Microsoft Fabric, o Portal BI Embedded simplifica a operação: a capacidade é provisionada e gerenciada automaticamente, com auto-suspend inteligente quando não há uso, e o custo é distribuído entre os usuários. Para preparar os dados que alimentam o modelo, veja também o Dataflow Gen2.

Relatório Power BI conectado a um modelo semântico Direct Lake
Relatório Power BI criado sobre o modelo semântico Direct Lake, consultando cerca de 69,5 mil registros diretamente do OneLake.

Perguntas frequentes sobre o Direct Lake

O que é o Direct Lake?

É um modo de armazenamento de tabelas de modelos semânticos do Power BI, disponível no Microsoft Fabric. Ele carrega rapidamente na memória os dados de tabelas Delta do OneLake, e as consultas são processadas pelo mecanismo VertiPaq, com desempenho comparável ao modo Import, sem a necessidade de copiar todos os dados a cada atualização.

Qual a diferença entre Direct Lake e Import?

No modo Import, a atualização replica os dados e cria uma cópia inteira em cache, o que pode levar tempo e consumir muitos recursos. Na atualização do Direct Lake (enquadramento ou framing) apenas metadados são copiados, o que leva normalmente alguns segundos, e os dados são carregados na memória sob demanda.

O Direct Lake substitui o DirectQuery?

Em cenários com grandes volumes de dados no OneLake, ele costuma ser a melhor opção, pois o DirectQuery envia cada consulta à fonte de dados e tende a ser mais lento. O Direct Lake no SQL ainda pode recorrer ao DirectQuery em alguns casos (como views SQL); o Direct Lake no OneLake não faz esse fallback.

Preciso de uma capacidade Fabric para usar o Direct Lake?

Sim. Os modelos semânticos Direct Lake exigem uma assinatura de capacidade Fabric (SKUs da série F ou Power BI Premium por capacidade). Com o Portal BI Embedded, a capacidade Fabric é provisionada e gerenciada automaticamente, ligando e desligando conforme a demanda.

Posso usar o Direct Lake com Power BI Embedded?

Sim, com um requisito: é necessário usar um token de incorporação V2. Se você usa uma entidade de serviço, deve usar uma conexão de nuvem com identidade fixa.

O Direct Lake combina o melhor de dois mundos: a velocidade do Import e a escala do lago de dados, sem o custo de copiar grandes volumes a cada atualização. Para empresas com bases extensas, ele reduz o tempo de atualização, diminui a latência dos dados e aproveita melhor a capacidade Fabric. Se quiser avaliar a adoção, comece por uma prova de conceito com uma tabela de fatos grande.

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